O depoimento do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, nesta segunda-feira (9), foi marcado por embates políticos entre governo e oposição sobre quem seria o responsável pelas fraudes no órgão. No entanto, para o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a prioridade não é alimentar disputas partidárias, mas dar respostas à população.
“O compromisso da CPMI não é com discursos político-partidários, mas com a verdade”, afirmou Viana. Segundo ele, há indícios claros de que uma organização criminosa atua dentro do INSS há vários anos, atravessando diferentes governos. “O que nós temos com muita clareza é que há uma quadrilha, ou talvez mais de uma, que existe no INSS há vários governos”, disse.
O senador questionou por que, mesmo com informações disponíveis há anos, medidas não foram tomadas para barrar o esquema. “Se as informações já existiam há cinco anos, por que dois inquéritos da Polícia Federal foram arquivados? Por que providências não foram tomadas? São questões que nós queremos, ao longo dos depoimentos, responder à população”, afirmou.
Durante a reunião, parlamentares de diferentes partidos apontaram responsabilidades das gestões de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Lupi, por sua vez, negou envolvimento nas fraudes e disse que não tinha conhecimento da dimensão do esquema.
Para Viana, as tentativas de transferir a culpa para um ou outro governo não ajudam a resolver o problema. “As narrativas de cada lado querem imputar responsabilidade a um governo ou a outro. O que nós precisamos é apurar os fatos e responsabilizar os culpados”, reforçou.
Ao final, o senador reafirmou que o objetivo da comissão é esclarecer como funcionava o esquema, identificar os responsáveis e devolver segurança aos aposentados e pensionistas. “A gente percebe o quanto as instituições falharam. Mas a CPMI vai até o fim para mostrar ao Brasil como esse esquema se instalou no INSS e como deve ser desmontado”, concluiu.
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado





