A CPMI do INSS realizou nesta terça-feira (28) uma sessão marcada por dois depoimentos: o do empresário Domingos Sávio de Castro, apontado em investigações como sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e o do piloto Henrique Galvão, que prestou serviços à Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais).
Domingos Sávio é citado em requerimentos da comissão como sócio ou ex-sócio das empresas DM&H Assessoria e ACDS Call Center, além de ter recebido valores de entidades como a Associação Brasileira de Previdência (Abraprev) e a Associação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas da Nação (Abapen). As investigações apontam possível movimentação financeira superior a R$ 20 milhões em benefício do empresário.
Amparado por um habeas corpus que lhe garantiu o direito ao silêncio em caso de risco de autoincriminação, Domingos Sávio negou qualquer envolvimento em irregularidades. Ele afirmou que suas empresas são “regularmente constituídas”, possuem sede própria e mais de 50 funcionários.
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), lembrou que Domingos Sávio já foi condenado em primeira instância na Operação Strike, da Polícia Civil do Distrito Federal, que investigou esquemas de descontos irregulares sobre servidores públicos. Ao final do depoimento, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana, anunciou que, juntamente com o relator, irá ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedir a prisão preventiva de Domingos Sávio.
Na mesma sessão, o piloto Henrique Galvão também prestou depoimento. Ele relatou que trabalhava em voos contratados pela Conafer e que sua função se restringia a registrar informações sobre o tempo e o destino das viagens, sem controle sobre os passageiros.
Questionado sobre a localização dos registros desses voos, informou que a documentação está no Aeroporto Planalto Central (Botelho), em São Sebastião (DF). “Não realizo mais voos pela Conafer devido à inadimplência da entidade”, afirmou.
O senador Carlos Viana destacou que as oitivas são fundamentais para rastrear o caminho do dinheiro e a rede de empresas e pessoas que teriam lucrado com descontos indevidos sobre benefícios previdenciários. “Cada depoimento é uma peça que ajuda a revelar a dimensão das fraudes. O nosso compromisso é com a verdade e com a defesa dos aposentados brasileiros”, afirmou o presidente da CPMI.
A comissão voltará a se reunir na próxima segunda-feira (3), para ouvir o depoimento de Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA).
Foto: Agência Senado





